Ainda sem estrear na Grécia, Denílson descarta 'novo Vietnã' no Kavala
03/04/2010
Pentacampeão tem contrato por dois anos e meio e diz que acordo com Kavala é de só jogar 100% fisicamente. Estreia deve ser no dia 11 de abril
Contratado no fim de janeiro pelo Kavala, o atacante Denílson ainda não estreou pela equipe da Grécia.
Mas garante que a nova experiência na Europa não vai terminar como a aventura no Vietnã, onde só atuou uma vez pelo Hai Phong Cement e depois foi embora em 2009.
Segundo o pentacampeão, há um acordo com o clube grego para só entrar em campo quando estiver 100% fisicamente e isso deve acontecer no dia 11 contra o Paok, pela penúltima rodada da primeira fase do campeonato local.
- Antes de assinar o contrato, eu estava há praticamente oito meses sem jogar. Comecei a treinar aqui sozinho do grupo, me preparando. O pensamento do presidente era me usar nos playoffs do Campeonato Grego, mas nossa equipe acabou não conseguindo a classificação. Então, só devo jogar duas rodadas. Como eu disse que não estava 100% quando acertei com o Kavala, eles me ofereceram um contrato longo e assinei por dois anos e meio. Está tudo dando certo, o que foi combinado está sendo cumprido. Do Vietnã eu saí porque eu quis, não gostei de lá. Fui machucado e lá não tinha condições de continuar o tratamento – disse o atacante.
Aos 32 anos, o atleta está em seu décimo clube na carreira: São Paulo, Bétis (Espanha), Flamengo, Bordeaux (França), Al-Nassr (Arábia Saudita), Dallas (Estados Unidos), Palmeiras, Itumbiara e Hai Phong Cement (Vietnã). Denílson diz que seu único arrependimento foi ter deixado a França após apenas um ano no Bordeaux e ter ido para o mundo árabe. O jogador tem duas Copas do Mundo no currículo: vice em 1998 e campeão em 2002. Alvo de críticas por não ter repetido na Europa as boas atuações do início da carreira, ele se defende:
- É lógico que eu queria ter jogado como o Ronaldinho ou como o Robinho. Mas não me arrependo. Sei que falam que o Denílson poderia ter sido mais, mas sou realizado. Joguei duas Copas... É um peso grande, não é todo mundo que consegue isso. Sou realizado com a minha carreira. Poderia ter vencido mais se tivesse ido para um clube grande? Sem dúvida. Mas como o São Paulo ia abrir mão do dinheiro que o Bétis ofereceu naquela época?
Noivo da atriz Luciele di Camargo, o atacante garante que deixou a badalação de lado e se prepara para ser pai: a irmã de Zezé di Camargo está grávida de cinco meses. O casamento deve sair ainda neste ano.
- Curti minha fase de solteiro, mas uma hora tem que parar. Achei a mulher da minha vida.
Antes de ir para a Grécia, Denílson quase voltou ao Flamengo. O atacante diz que o clube reconheceu a dívida que tem com ele e que o vice-presidente Marcos Braz chegou a oferecer a possibilidade de um acordo parecido com o de Petkovic. Porém, a proposta grega fez que a ideia fosse esquecida. Na Europa, Denílson só quer uma coisa: recuperar a alegria de jogar futebol.
- Foram quase dois anos parado por lesão. Por amor à profissão, apareceu essa proposta, com contrato longo. Não posso desperdiçar essa chance, quero continuar jogando futebol independentemente de estar na mídia ou não. Não posso reclamar da minha vida. Eu não tenho que provar mais nada a ninguém, conquistei uma coisa que muitos querem e não conseguem: ter seu nome marcado na história do futebol mundial. É um privilégio.
Texto: Thiago Dias - Globo.com |